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Inteligência Artificial na Arquitetura: O balanço entre o ganho de eficiência e o custo ambiental.

Atualizado: Mar 17



Imagine ter uma ideia para um novo projeto arquitetônico, e ao invés de desenhar, ou modelar no computador, simplesmente ditar a sua ideia através de um audio e ter o projeto pronto em instantes. "Hey Siri, crie uma planta de apartamento que tenha três quartos, dois banheiros, uma cozinha aberta para a sala com um terraço voltado para a face com mais vista da cidade"; e em segundos, você tem uma planta detalhada com todos os utensílios e dimensões corretas.


É isso que plataformas de Inteligência Artificial proporcionarão para nós designers e arquitetos.

A GPT-3 da OpenAI, é uma das plataformas que promete mudar o jogo para criação de elementos sem precisar de conhecimento algum em programação. Com mais de 175 bilhões de parâmetros, a plataforma pode gerar scripts, escrever artigos, criar obras de arte e desenvolver aplicativos, apenas com o comando da voz, sem nenhuma supervisão humana adicional.

Ao procurar por padrões em sua base de dados, a plataforma sugere soluções que encaixam nos parâmetros do áudio gravado pelo usuário.

GPT é uma abreviação para Generative Pre-training Transformer, ou Transformador generativo pré-treinamento, que usa algoritmos de Machine Learning para aprender automaticamente a partir de sua experiência sem ter que ser reprogramada.


Para a Arquitetura isso significa criar uma base de dados com milhares de anos de experiência e experimentos, que sirvam como repertório para criar uma nova Arquitetura informada, customizada e conectada.

Não podemos mais negar que a tecnologia está enraizada na Arquitetura, seja ainda pelo CAD, BIM, Ferramentas Paramétricas, e mais recentemente, o Design Generativo. Como Arquitetos devemos dominar estas ferramentas para gerar formas e espaços que impulsionam a vida na terra (e fora).

A Inteligência Artificial não se tratará mais de apenas definir a orientação ótima de um ambiente, ou sua geometria, espessura ou textura, mas sim de ter uma consideração ampliada ao entorno, uso, historia, tipo de usuário e materialidade local, gerando opções de design altamente informadas por precedentes e tipologias otimizadas, se tornando não só uma extensão do lápis em nossas mãos, mas de nossos sentidos e inteligência.


Ferramentas como o GPT-3 podem servir para facilitar e agilizar o processo de criação de múltiplas variações de um mesmo design arquitetônico, seja a partir de um estilo ou uma organização específica. Assim como modelos generativos, a Inteligência Artificial analisa o banco de dados de repertório, e os requisitos impostos pelo usuário, e qualifica-os, rankeando suas possibilidades do menos para o mais bem adaptado.

Estas ferramentas se tornam parte do processo projetual, com uma visão holística à arquitetura, extraindo nao só quantidades mas qualidades, entendendo e dissecando todos os fatores que influenciam o processo de desenvolvimento espacial a partir da tentativa e erro.


Por outro lado, devemos estar conscientes do impacto ambiental que esse poder tecnologico traz. Armazenar 45 terabytes de memória demanda um consumo energético intenso, aumentando a pegada de carbono significativamente. Estudos indicam que treinar um processador de Inteligência Artificial pode gerar mais de 280 toneladas de dióxido de carbono, o equivalente a cinco vezes a emissão de um único carro.


Sabendo disso, devemos nos perguntar como desenvolver novas ferramentas que impulsionam a prática da arquitetura, mas que usem a inteligência tecnológica da maneira mais eficiente possível, beneficiando o usuário sem impactar negativamente o meio ambiente. Energias renováveis e sustentáveis devem estar no núcleo da discussão, visando o investimento intensivo em pesquisa e aplicação de novas alternativas, verificando o balanço entre o ganho para o projeto arquitetônico, e o custo ambiental.






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