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Big data - A nuvem de informação que meneia a Arquitetura

Atualizado: 28 de Out de 2020


Big data - A nuvem de informação que menea a Arquitetura

Sabe-se que a arquitetura retrata e impulsiona a cultura simultaneamente, às vezes através de sinais e símbolos óbvios, mostrando instituições políticas ou religiosas e, às vezes, mais sutilmente, refletindo tendências estéticas e estilos de vida, ou servindo como anfitrião para mostrar outros ativos culturais, como arte e dança. Desde o modernismo na década de 1930, a arquitetura foi convertida de uma prática da teoria em um design do globalismo, tornando-se mais padronizada e menos específica ao local. Isso resultou em uma arquitetura menos identificável, desconsiderando o contexto e a influência social.


Isso gera uma discussão sobre responsabilidade cultural e ambiental: como os arquitetos podem projetar para mudanças? Não apenas abraçando os valores centrais da arquitetura de abrigo e sombra, mas projetando para um espectro mutável de manifestação estrutural, histórica, social, econômica e política. Talvez uma arquitetura interdisciplinar, que mescle ciência e design possa ser um caminho possível para uma prática responsiva e coesa.


O Big Data pode ser uma das maneiras de abordar esse tema, e prever padrões de necessidade e tendências, auxiliando na tomada de decisões de maneira informada, aperfeiçoando a finalidade e definições do projeto.


Ciência aplicada ao Design não se trata mais de ações direcionadas para produção de resultados premeditados, mas sim da identificação de tendências e comportamentos. Com dados que produzimos diariamente através de redes de comunicação, transações bancárias, câmeras de segurança, pesquisas na internet e sensores de coleta de dados ambientais, ações de máquina-a-máquina, máquina-a-humanos, humanos-a-humanos podem ser informadas e automatizadas para serem adaptadas à situação e necessidades atuais dos usuários. Essa quantidade de informação pode ser entendida através do conceito de Big data: um conjunto de informações com mais de 50.000 observações ou anotações, consequentemente excedendo o que uma planilha de Excel pode suportar.


Big Data são dados de alto valor e alto impacto extraidos de usuários para possibilitar a criação de experiências personalizadas. No ramo da Arquitetura e Design, Big data pode ser utilizado em estratégia de negócios e para guiar o projeto fisicamente.

Imagine uma plataforma online de desenvolvimento imobiliário que identifica tendências de fluxo e aglomeração de pessoas, informando ao desenvolvedor o proximo "hot spot" para construção de edifícios residenciais. Os dados poderiam ser extraídos de aplicativos como Airbnb, Instagram, Twitter, Facebook e Yelp, e até mesmo pelo census de uma subprefeitura, identificando padrões de consumo, poder aquisitivo e deslocamento social e informando a plataforma de desenvolvimento onde posicionar uma edificação na região ou procurar por oportunidades de venda de terreno.


O design computacional já mudou a maneira como a arquitetura é percebida, projetada e fabricada, oferecendo uma gama diversificada de ferramentas para controlar, iterar e processar conceitos. Ele também transformou a maneira como os arquitetos preveem os padrões culturais, sociais e econômicos que o cercam.

A utilização de abordagens interdisciplinares e tecnologias emergentes acelera o potencial de inovação, usando dados amplamente disponíveis, por meio de cadeias de valor para aumentar o conhecimento do cenário atual.


As fontes de dados fornecem informações em vários formatos técnicos, criando assim a necessidade de converter conjuntos de dados em uma função homogênea. Na arquitetura, os dados GIS podem ser mesclados com as mídias sociais e, por sua vez, vinculados às leis de zoneamento, criando uma malha de dados que pode ser usada para informar novas áreas de desenvolvimento e tipologia de construção.


A qualidade dos dados também é um fator importante. Nem todos os dados são bons. Arquitetos precisam estar cientes de quais fontes confiáveis ​​de dados estão disponíveis, para que seus conceitos possam ser desenvolvidos com seriedade e precisão. Sensores climáticos, sinais de GPS, dados de componentes de construção e ferramentas de simulação fornecem informações valiosas que podem ser usadas para criar um design mais seguro, rápido e preciso, minimizando erros e maximizando oportunidades.

Dados coletados e dados em tempo real podem informar como as pessoas ocupam espaços e diferentes infraestruturas, permitindo uma melhor compreensão das necessidades do usuário, uma ampla gama de experimentação e prototipagem e, finalmente, um design de espaços que realmente atendem a essas necessidades, reduzindo custos operacionais, otimizando a manutenção e melhorar o fluxo e a circulação.


O Big Data está se tornando cada vez mais complexo de gerenciar, portanto, arquitetos não deveriam estar à frente desta a oportunidade de estudar e desenvolver ferramentas necessárias para coletar, extrair padrões e informações chave desses dados, a fim de informar o design conscientemente?

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